O rinoceronte e a metamorfose coletiva
Por Juliano Pedro Siqueira Eugène Ionesco. Foto: Micheline Pelletier O período do pós-guerra despertaria profundos temores em um mundo que acabara de ser desfigurado pela destruição em massa. Acompanhado do horror, da incerteza e da descrença na razão, emergiu-se uma série de questionamentos existenciais e morais, tendo como pano de fundo a literatura, a filosofia, a arte, a psicanálise e o teatro, que buscaram os fundamentos que levassem a entender o homem a partir de seus símbolos, fanatismos e contradições. Correntes como o existencialismo, que a exemplo, explorou conceitos como angústia, em Sartre, tempo, em Heidegger, suicídio, em Camus; e do teatro do absurdo, com Samuel Beckett, Arthur Adamov e Eugène Ionesco; além, claro, dos estudos antropológicos de Sigmund Freud, promoveriam um grande debate intelectual no ocidente, submetendo à dúvida o progresso moral, racional e existencial do homem. Com o advento de movimentos filosóficos de cunho materialista e relativista...