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Mostrando postagens de março 13, 2025

Por dentro (e por fora) de Úrsula

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Por Renildo Rene Dalton Paula. Maria Firmina dos Reis . MASP (Reprodução)   “O nosso romance, gerou-o a imaginação, e não o soube colorir, nem aformosentar. Pobre avezinha silvestre, anda terra a terra, e nem olha para as planuras onde gira a águia.”   As primeiras palavras lidas em Úrsula , no Prólogo, afirmam o poder da criação. Criar é contornar o estilo do século e deslocá-lo em sentidos diversos, afirmando a identidade nacional ao mesmo tempo que se pretende miná-la. Maria Firmina dos Reis especializa a vanguarda ficcional da literatura abolicionista ao conceber no exercício da escrita uma tarefa de dar existência ao território obliterado do Brasil. Sem quaisquer dúvidas disso, o romance sai ineditamente em 1859 sob o título autoral que facilmente acompanha seu nome: “Uma maranhense”, simples e adjetivo, e ainda mais acertado porque ela conturba “a conversação dos homens ilustrados”.   A conturbação vem logo no primeiro capítulo, “Duas almas generosas”. A fisionomia ...