Foto no privado, de Simon Chevrier
Por Pedro Fernandes Simon Chevrier. Foto: Dorian Prost/ Reproduzido de Perluete . O nosso tempo é o do vazio marcado pelo excesso. Escravos do presente ou das artimanhas do contemporâneo, estamos submetidos à procura incessante pelo excepcional, capaz de nos retirar, ainda que por um instante, do regime do frugal e encontrar qualquer coisa talvez perdida em alguma curva de suas fímbrias. Isso padecemos os que ainda tiveram contato com o mundo perdido; as novas gerações já encontraram o meio de viver a falta do que não viveram macaqueando usos, hábitos, objetos e cultura, fabricando com esses restos o seu próprio tempo. Os perdidos no excesso de presente, saudosistas ou tapeceiros de uma era até agora de inovações duvidosas estão numa mesma barca. Passada a experiência, caímos todos outra vez no mesmo ciclo de vazio, espera e nova frugalidade. É da natureza do simulacro e a interminável lista de afecções psicológicas demonstra como nunca estivemos tão sós, tão tristes, tão espezinhados,...