A ética da solidão
Por Juliano Pedro Siqueira Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. — Robert Musil Henrik Ibsen. Foto: Arquivo Getty (Reprodução) A literatura é voz que ecoa no tempo, discorrendo sobre as múltiplas perspectivas do drama humano. Em tempos quando as paixões políticas se mostram exacerbadas, recorrer aos clássicos é necessário para compreender seus desafios históricos, sem apelar a sentimentos obscuros. Dentro desta proposta, trago à reflexão a obra Um inimigo do povo (1882), do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. Nela encontramos o icônico Dr. Tomas Stockmann, personagem central, e que encarna a figura do mártir, ao exercer a ética solitária; assumindo sobre si e sua família, terríveis consequências. A peça ganha intensidade e tons sombrios quando o Dr. Stockmann, um médico residente, resolve alertar as autoridades políticas que as águas balneárias da cidade tornaram-se impróprias para o u...