Dez poemas de Saigyo
Por Pedro Belo Clara I. em que momento do longo sono da vida poderei acordar deste sonho espantado pela verdade? II. como poderia passar a minha vida sem saber o que ela é — um caminho que leva inevitavelmente à morte? III. há muito tempo que enviei o meu coração para as profundezas das montanhas e ainda assim este corpo demora-se no mundo flutuante IV. jamais tingiria o meu coração com a pura cor da lua se não deixasse a capital para trás V. como me alegro quão oportuno este nevão escondendo o meu trilho na montanha quando queria estar só! VI. um só pinheiro a crescer entre os vales — e pensava ser o único sem um amigo VII. contemplando-as tornei-me tão íntimo destas flores que ao desprenderem-se dos ramos sou eu quem cai… em tristeza VIII. esta primavera vou ficar junto à minha sebe rústica farei amizade com as pessoas que chegarem em busca do perfume da flor da ameixeira IX. sozinho, olhei a glória da manhã consciente que ness...