As sedes de Liana Ferraz
Por Taynan Iris Liana Ferraz. Foto: Martín Zenorini Sede de me beber inteira (2022), de Liana Ferraz, é uma coletânea de poemas de textura muito leve e com uma certa simplicidade, mas de muita profundidade pelo teor sensível. É justamente por isso que o leitor, ao se achegar apenas na beirinha do rio dessa poesia, logo se vê envolvido por um reconhecimento de si, como se a palavra se fizesse líquido e, em sua superfície, refletisse aquilo que somos. Isto é, a experiência, por trás desses versos de linguagem minimalista, é um encontro consigo mesmo. É uma poesia que nos interpela; a palavra é utilizada, por essa poeta estreante no mercado literário, de modo a abarcar nossa vivência com o mundo e, sobretudo, com o nosso interior. Antes mesmo de chegar aos versos, o título da coletânea demonstra isso. A sede enunciada poderia, a princípio, aludir a uma necessidade física. Não se trata, porém, da sede de água; revela-se, na verdade, como uma sede de beber-se por inteiro. É o desejo ...