Uma palavra para o Mal
Por Davi Lopes Villaça No novo Nosferatu (2024), de Robert Eggers, o advogado Thomas Hutter está atravessando o interior de uma bárbara Transilvânia, a caminho do castelo do Conde Orlok, quando, numa noite, depara-se com uma cena sinistra e inexplicável: um grupo de camponeses, guiados por uma jovem nua montada num cavalo, exuma um cadáver e lhe crava uma estaca no peito. Mais tarde, no castelo, ao tocar no assunto com seu sinistro anfitrião, Thomas escuta-o dizer: “Temo que ainda haja por aqui muitas superstições que podem parecer antiquadas para um jovem com seu alto nível de instrução. Estou ansioso para me mudar para sua cidade de mentalidade moderna, que não conhece nem acredita nesses contos de fadas mórbidos”. Não podemos ver o rosto do vilão, mas é como se ele piscasse para a câmera. A ironia é clara: o poder de Orlok, o grande bruxo vampiro, é maior lá onde nada se sabe nem de vampiros, nem de bruxaria, nem de muitas outras coisas. O filme recupera a velha crítica ao iluminis...