Maria Martins, uma intérprete das expectativas decrescentes
Por Lucas Paolillo “Havia carvalhos rugosos, enormes, que se contorciam e se esticavam no chão, abraçavam-se uns aos outros, e, firmes sobre seus troncos, parecendo torsos, lançavam com os braços nus apelos de desespero, ameaças furiosas, como um grupo de titãs imobilizados na raiva. Algo mais pesado, um langor febril pairava acima dos pântanos, recortando a superfície de suas águas entre arbustos de espinheiros; os liquens da margem, onde os lobos iam beber, são cor de enxofre, como se queimados pelos passos das bruxas, e o coaxar ininterrupto das rãs responde ao grito das gralhas que volteiam. Em seguida, atravessaram clareiras monótonas, plantadas aqui e ali de árvores jovens não podadas. Ouvia-se um ruído de ferro, pancadas fortes e numerosas: era, no flanco de uma colina, um grupo de exploradores de pedreiras quebrando as rochas. Estas se multiplicavam cada vez mais, e acabavam enchendo toda a paisagem, cúbicas como casas, chatas como lajes, estendendo-se, inclinando-se, confundin...