Doença e genialidade: o espírito trágico de Adrian Leverkühn em Doutor Fausto
Por Juliano Pedro Siqueira Doutor Fausto , de Thomas Mann, é considerado, tanto pela crítica quanto por ele mesmo, como a obra da velhice. O grande empreendimento romanesco exigiu-lhe esforço hercúleo, custando-lhe sacrifícios físicos e intelectuais. A entrega sem medida culminou na versão mais melódica e filosófica da lenda do Fausto, colocando-a, talvez, em nível de paridade com o clássico poema trágico de Goethe. Em A gênese do Doutor Fausto: romance sobre um romance — sua obra póstuma e autobiográfica —, Mann relata o percurso intelectual que o conduziu a escrever o romance de 1947. Segundo o romancista, o projeto é fruto do acúmulo de leituras e escritos, os quais reuniu por anos. A ideia de transformar os materiais disponíveis em forma de romance ocorreu-lhe quase que acidentalmente, quando estava finalizando a tetralogia, José e os seus irmãos . Naquela altura, o autor era um septuagenário, e seu vigor físico oscilava continuamente. Além do ofício de escritor, possuía uma v...