A marquesa de Sade, de Rachilde
Por Amanda Fievet Marques Rachilde. Reprodução Franceinfo Do leite, a tradição louvou a inocência. No romance A marquesa de Sade (1887), da escritora francesa Rachilde — pseudônimo de Marguerite Eymery —, rubro, porém, é o leite que ingere diariamente Caroline, a mãe tísica e moribunda da pequena Mary. O romance se inicia no trajeto feito a pé, na cidade de Clermont-Ferrand, da casa até o abatedouro, pela prima Tulotte, bem mais velha, e a pequena Mary, de sete anos. A prima leva numa mão a menina e, na outra, uma lata branca onde outrora se armazenava o leite. A criança, até aquele momento, entende apenas que naquele estabelecimento, “iam buscar leite toda tarde” (Rachilde, 1996, p. 5, tradução minha). As circunstâncias convergem, todavia, para que Mary comece a suspeitar do que ali se oculta. A mente da pequena, propensa a se indagar, põe-se involuntariamente a escrutinar o significante. O texto instaura, desde as linhas iniciais, uma linguagem de matadouro, que disputa c...