Neoconcretismo devassado e poético, as instaurações de Tunga
Por Felipe Vieira de Almeida Tunga é um artista brasileiro que me interessa singularmente, talvez por influência do pai, o poeta Gerardo Mello Mourão. As suas obras exalam literatura, poesia sobretudo, ao ponto de o próprio artista ter cunhado um neologismo para o que criava: instaurações. O mercado contemporâneo de arte tenta a todo custo reter valor através de obras que existem como joias cujo valorização é medida não só pela raridade, mas também suposta pela relevância do artista que a criou. A performance, por outro lado, é o tipo de criação que por excelência não se permite capturar visto que está mais para um acontecimento e depende do corpo que a pratica, ainda que filmagens e fotografias tentem solidificar aquilo que acontece no tempo. Híbrido entre os dois extremos, temos as obras que são instalações, associando os objetos de arte em um espaço com corpos, compartilhando limitações e possibilidades criativas com os exemplos já discutidos. Insatisfeito com essas...