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Boletim Letras 360º #674

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DO EDITOR Olá, leitores! Desde o dia 11 e até o dia 25 de janeiro estão abertas as inscrições de candidaturas para novos colunistas no Letras . Se você escreve sobre livros, literatura e áreas afins e quer participar do nosso projeto, saiba por aqui todas as informações necessárias de como enviar a sua proposta.   E, para não perder o costume, relembro que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter este projeto. A sua ajuda continua essencial para que permaneçamos online. LANÇAMENTOS Livro oferece ao leitor uma dúzia de contos inéditos de Ricardo Guilherme Dicke, grande nome da prosa brasileira . Música de mortos suaves  reúne catorze contos ― doze deles inéditos ― encontrados por Rodrigo Simon de Moraes ao vasculhar os alfarrábios deixados pelo autor após sua morte, em 2008. Natural de Chapada dos Guimarães e figura central da literatura mato-grossense, Dicke construiu ao longo da vi...

O verdadeiro Conde de Monte Cristo

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Por Ada del Moral Olivier Pichat, Thomas Alexandre Dumas . Em Django livre (2012), de Quentin Tarantino, o dentista e caçador de recompensas King Schultz (Christoph Waltz) comenta com o latifundiário sádico e racista Calvin Candie (Leonardo DiCaprio) que o autor de Os Três Mosqueteiros (1844) não teria aprovado que ele alimentasse seus cães com o escravo D'Artagnan. “Francezinho fraco”, zomba Candie. “Alexandre Dumas é negro!”, responde Schultz. A expressão impassível do escravagista é impagável. Ela também chama a atenção para a identidade de um gigante da literatura, apesar do empenho de “colaboradores” — como Auguste Maquet, que o ajudou a escrever O Conde de Monte Cristo (1846), a quem ele teria subornado de maneira exorbitante para figurar sozinho nesta homenagem a seu pai, o General Dumas. As origens do romancista, o segundo Alexandre dos três de uma linhagem tão ilustre, não são bem um mistério. Nós apenas o havíamos esquecido, pois apenas restar poucos ecos das desditas ...

Boletim Letras 360º #673

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DO EDITOR Saiba que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter o Letras . A sua ajuda continua essencial para que este projeto permaneça online. Eugénio de Andrade. Foto: António Pedro Ferreira LANÇAMENTOS Poderia ser a poesia completa, mas eis uma antologia que apresenta ao leitor brasileiro algo da poesia de Eugénio de Andrade . Nos poemas de Eugénio de Andrade, cuja produção vai da década de 1940 a 2001, o desejo ocupa espaço central. É como se o erotismo, no sentido mais amplo da palavra, fosse sua maneira de compreender e de se relacionar com o mundo: o sorriso é o convite, a entrega que torna todas as coisas possíveis, e o oposto disso seria o desprezo, a mudez, a falta de interesse. No poema “Quase epitáfio”, ele diz: “Amei o desejo/ com o corpo todo.// Ah, tapai-me depressa./ A terra me basta./ Ou o lodo.” Esta edição é uma oportunidade para se conhecer uma das vozes mais fascinantes da lite...

Jota Medeiros: poesia e poética pansemiótica

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Por Márcio de Lima Dantas  Forma densamente forma como revelar-te se me revelas? — Orides Fontela 1. A obra Ars Poetica  reúne poesias coligidas da participação militante de Jota Medeiros (1958, João Pessoa) no movimento do poema-processo, da poesia concreta e da arte postal. Confere um arco bastante vergado, no sentido de mostrar exemplos de séries e exposições, demonstrando nessa curvatura estética o que foi capaz de produzir em quantidade e qualidade. São trabalhos produzidos entre 1975 e 2007. A coordenação editorial e o projeto gráfico são do competente designer Márcio Simões, pelo selo editorial Sol Negro. O livro é dividido em três seções: “Povis”, “Kinema” e “Documenta”. Ao longo de um folhear atento, constatam-se homenagens a uma série de pessoas, tais como Wlademir Dias-Pino, Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Álvaro de Sá, Dácio Galvão, Afonso Martins, John Cage, Erik Satie e Avelino Araújo. Essas homenagens, mais do que simples admiração, funcionam como vet...

Boletim Letras 360º #672

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DO EDITOR Saiba que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter o Letras . A sua ajuda continua essencial para que este projeto permaneça online. Thomas Mann. Foto: ETH Library, Zurique. LANÇAMENTOS  Uma nova edição e tradução de A morte em Veneza  coloca o leitor em contato com a adaptação desta obra de Thomas Mann para a ópera .   Em A morte em Veneza , Thomas Mann conduz o leitor a um território inquietante, onde arte, beleza e decadência se entrelaçam. Neste clássico da literatura moderna, acompanhamos Gustav von Aschenbach, um escritor consagrado, símbolo da disciplina e do esforço intelectual. Exaurido pela rotina de trabalho, Aschenbach decide viajar para Veneza, onde encontra Tadzio, um jovem cuja beleza idealizada desperta no escritor uma admiração que rapidamente se transforma em obsessão silenciosa. Com sua prosa precisa e erudita, Thomas Mann constrói uma intensa narrativa q...

O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho

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Por Pedro Fernandes  Uma interminável colcha de retalhos. Com essa imagem poderíamos definir O agente secreto , mesmo sabedores de que, talvez, seja improvável encontrar a síntese para um filme que se desvia das leituras fáceis e se quer nebulosa em expansão. Noutra parte, contraditoriamente, se é um trabalho marcado por um imaginário recorrente na filmografia de Kleber Mendonça Filho, como o seu interesse por um Recife tragado pelos processos (mesmo culturais) de gentrificação que, cedo ou tarde, grassam todas as cidades no mundo da Era Capitalista, é uma obra feita conforme os protocolos reiterados pelo cinema recente em que a técnica, por vezes, se sobrepõe, com o explícito interesse de se deixar notar pelo júri das premiações, como é o caso do uso do batido recurso do filme de citação — aqui, o mass cinema hollywoodiano que, para nos mantermos no mesmo campo semântico, dragou os espaços e as idiossincrasias da cultura cinematográfica por onde passou, sobretudo no Brasil, como ...