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Nunca foi tão difícil voltar para casa: Christopher Nolan, Uberto Pasolini, Mario Camerini e a Odisseia, de Homero

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Por Michele Soares “Um bom filme e uma adaptação da Odisseia apenas razoável” é a conclusão a que chego, remoendo o assunto na volta para casa após ver pela segunda vez o filme The Odyssey ,¹  de Christopher Nolan. Também percebo que não há como evitar a conclusão dupla e penso em como ela reflete o modo como venho observando a recepção do longa. Por um lado, chegam até mim as opiniões dos colegas da área de Letras Clássicas, que já dissecaram, formal ou informalmente, todas as falhas, incongruências, limitações e pontos indigestos da mais recente adaptação do épico homérico; por outro, chegam as notícias do sucesso de bilheteria e da recepção acalorada do público geral, que alçam The Odyssey ao rol dos filmes não menos que excelentes. Após pouco mais de duas semanas em cartaz, o filme foi marcado como visto por 3 milhões de pessoas e conta com média 4,4 no Letterboxd , rede social para amantes da sétima arte e espaço on-line que muito frequento, sendo eu mesma uma não espec...

Córidon, de André Gide

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Por Pedro Fernandes André Gide. Foto: Laure Albin Guillot André Gide se situa entre os mais importantes autores da literatura moderna no entresséculos XIX-XX e uma das razões para merecer esse lugar se encontra na própria obra, marcada por um estilo idiossincrático e capaz de capturar as complexidades e contradições do seu tempo e plasmar de maneira original as questões de corte íntimo em contraste com a ordem vigente. Aliás, uma parte dessas qualidades foi mesmo sublinhada pela Academia Sueca aquando da atribuição do Prêmio Nobel de Literatura “pelos seus escritos diversificados e artisticamente significativos, nos quais os problemas humanos e as suas condições são apresentados com destemido amor pela verdade e com um apurado discernimento psicológico.” Córidon é um bom exemplo. Está na sua base um traço próprio do escritor: sua nem disfarçada ou nem desconhecida homossexualidade. Este é um tema que encontramos diversamente na sua literatura, mas com este livro que, depois de circula...

A crise dos filmes de super-heróis

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Por Michel Goulart da Silva Depois de anos seguidos com grandes bilheterias e elogios por parte da crítica, os filmes de super-heróis inspirados em histórias em quadrinhos parecem ter perdido força. Os poucos filmes lançados no período recente foram recebidos com menos entusiasmo ou mesmo foram duramente criticados, como ocorreu com Aquaman e o Reino Perdido , As Marvels e Madame Teia . Os mais recentes Superman e Supergirl tiveram uma melhor recepção, ainda que longe do auge de outras épocas do gênero. Essa crise pode ser explicada pelo esgotamento comercial desses filmes e pela dificuldade das grandes produtoras em se renovar. Se no começo da franquia Vingadores ou do Universo DC ainda havia espaço para alguma criatividade em suas produções, depois de dezenas de filmes e alguns anos o que se tem são apenas histórias que se repetem até mesmo na forma: o super-herói ou alguém de seu núcleo de pessoas próximas comete algum erro e a história do filme se centra na busca por tentar res...

Entre literatura, imagem e memória em Os emigrantes, de W. G. Sebald

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Por Douglas Sacramento W. G. Sebald. Foto: Basso Cannarsa W. G. Sebald, escritor alemão, nasceu na Alemanha, em 1944, mudou-se anos depois para a Inglaterra, onde permaneceu até sua morte, em 2001. É conhecido por obras como Vertigem  e Austerlitz , nas quais se fazem presentes características marcantes de sua escrita que também reaparecem na obra que é objeto desta crítica: a aproximação entre literatura e memória, mais precisamente com os horrores da guerra e do pós-guerra, que deixaram marcas subjetivas na Europa. Para tratar de um tema tão delicado, o autor recorre ao uso de imagens e à pesquisa arquivística.  Os emigrantes , publicado originalmente em 1992, é composto por quatro narrativas que giram em torno do trânsito de personagens marcados pela guerra, cujos efeitos reverberam em mudanças no cotidiano e em diferentes afetações psicológicas. Sebald se insere como um autor-narrador que revisita o próprio passado e as pessoas que conheceu em sua trajetória. O processo é ...

Traduzi Marco Aurélio sem imaginar que os Red Pill viriam a ler

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Por Felipe Vieira de Almeida O que ainda me justifica escrever para a internet é o eventual contato com leitores que não conhecemos, o e-mail de um desconhecido, o compartilhamento em algum site novo, o encontro fortuito com um leitor na rua, esses sempre foram exemplos felizes de um esforço em geral ingrato. Mal lemos a boa literatura, resta pouca energia para textos despretensiosos online, mas a este espaço permite raros acasos que unem um escritor a um leitor improvável. Dito isso, conheci a tristeza de publicar na web ao reconhecer um público indesejado se abeirando do meu trabalho. Cultivei desde muito cedo o hábito da leitura. Felizmente tive incentivos em casa, na escola e as possibilidades que os livros me ofereciam me arrebataram em uma jornada cujo ponto final só virá com a minha morte ou talvez nem assim. Quando saí de casa aos 19 anos para cursar o ensino superior na UNESP no interior de São Paulo, descobri que além do volume de leitura ao qual eu já vinha me dedicando int...

Boletim Letras 360º #707

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DO EDITOR Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links fornecidos neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter este projeto a custear as despesas com domínio e hospedagem online. A sua ajuda continua essencial. Esses links e os que postamos em publicações de nossa página no Facebook ou em outras redes são seguros. Em hipótese alguma, use links apresentados por terceiros passando-se pelo Letras . Luis Fernando Verissimo. Foto: Evandro Leal    LANÇAMENTOS Uma seleção dos textos publicados por Luis Fernando Verissimo nos jornais O Estado de S.Paulo e  O Globo entre 2016 e 2020, a maioria ainda inédito em livro . Originalmente, as crônicas reunidas em Crônicas de domingo  foram publicadas aos domingos, dia que Verissimo reservava para temas mais atemporais, dividindo com os leitores um pouco de suas memórias, reflexões e assuntos prediletos. Entre muitos textos saborosos, o leitor encontrará neste livro diálogos entre amigos, casais, pais...