A impossibilidade do Aleph
Por Federico Guzmán Rubio Incessantes e vastas como o universo, as interpretações de O Aleph acumulam-se e sobrepõem-se umas às outras, sem a obrigação de refutar ou sequer se posicionar como a mais correta, já que o conto de Borges pode ser lido, essencialmente, como se quiser. Entre elas estão — nas inúmeras outras — Julia Kristeva com suas abjeções, Jean Baudrillard com seus simulacros e Michel Foucault com suas palavras e suas coisas, demonstrando que, com um pouco de imaginação teórica, tudo pode ser provado a partir de Borges. Longe de constituir um exemplo de superinterpretação, todos os conceitos, sistemas e dissertações formulados por vários estruturalistas e pós-modernistas são, a meu ver, um meticuloso ato de justiça: o mínimo que se pode exigir dos exegetas de uma obra que aspirou conter o infinito — seja a sério ou em tom de brincadeira — é que desenvolvam um número igual de leituras. Contudo, em sua ânsia de transcender o texto e se tornar uma interpretação do ...