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Jota Medeiros: poesia e poética pansemiótica

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Por Márcio de Lima Dantas  Forma densamente forma como revelar-te se me revelas? — Orides Fontela 1. A obra Ars Poetica  reúne poesias coligidas da participação militante de Jota Medeiros (1958, João Pessoa) no movimento do poema-processo, da poesia concreta e da arte postal. Confere um arco bastante vergado, no sentido de mostrar exemplos de séries e exposições, demonstrando nessa curvatura estética o que foi capaz de produzir em quantidade e qualidade. São trabalhos produzidos entre 1975 e 2007. A coordenação editorial e o projeto gráfico são do competente designer Márcio Simões, pelo selo editorial Sol Negro. O livro é dividido em três seções: “Povis”, “Kinema” e “Documenta”. Ao longo de um folhear atento, constatam-se homenagens a uma série de pessoas, tais como Wlademir Dias-Pino, Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Álvaro de Sá, Dácio Galvão, Afonso Martins, John Cage, Erik Satie e Avelino Araújo. Essas homenagens, mais do que simples admiração, funcionam como vet...

Boletim Letras 360º #672

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DO EDITOR Saiba que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter o Letras . A sua ajuda continua essencial para que este projeto permaneça online. Thomas Mann. Foto: ETH Library, Zurique. LANÇAMENTOS  Uma nova edição e tradução de A morte em Veneza  coloca o leitor em contato com a adaptação desta obra de Thomas Mann para a ópera .   Em A morte em Veneza , Thomas Mann conduz o leitor a um território inquietante, onde arte, beleza e decadência se entrelaçam. Neste clássico da literatura moderna, acompanhamos Gustav von Aschenbach, um escritor consagrado, símbolo da disciplina e do esforço intelectual. Exaurido pela rotina de trabalho, Aschenbach decide viajar para Veneza, onde encontra Tadzio, um jovem cuja beleza idealizada desperta no escritor uma admiração que rapidamente se transforma em obsessão silenciosa. Com sua prosa precisa e erudita, Thomas Mann constrói uma intensa narrativa q...

O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho

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Por Pedro Fernandes  Uma interminável colcha de retalhos. Com essa imagem poderíamos definir O agente secreto , mesmo sabedores de que, talvez, seja improvável encontrar a síntese para um filme que se desvia das leituras fáceis e se quer nebulosa em expansão. Noutra parte, contraditoriamente, se é um trabalho marcado por um imaginário recorrente na filmografia de Kleber Mendonça Filho, como o seu interesse por um Recife tragado pelos processos (mesmo culturais) de gentrificação que, cedo ou tarde, grassam todas as cidades no mundo da Era Capitalista, é uma obra feita conforme os protocolos reiterados pelo cinema recente em que a técnica, por vezes, se sobrepõe, com o explícito interesse de se deixar notar pelo júri das premiações, como é o caso do uso do batido recurso do filme de citação — aqui, o mass cinema hollywoodiano que, para nos mantermos no mesmo campo semântico, dragou os espaços e as idiossincrasias da cultura cinematográfica por onde passou, sobretudo no Brasil, como ...

Boletim Letras 360º #671

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DO EDITOR Saiba que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajudar a manter o Letras , sem qualquer custo extra. O seu apoio continua essencial para que este projeto permaneça online.  Goliarda Sapienza. Foto: Giovanni Giovanetti LANÇAMENTOS O que é a vida, se você não para um instante para repensá-la? Hoje considerado a obra-prima de Goliarda Sapienza, romance escrito ao longo de dez anos foi rejeitado por editoras durante duas décadas em função de seu conteúdo libertário, transgressor e também pela carga erótica do texto .  Em A arte da alegria  tudo gira em torno da figura de Modesta: uma menina (e depois mulher) siciliana, inteligente, sagaz, vital e incômoda, poderosamente imoral segundo a moral comum. De origens humildes, ela faz da própria vida um campo de batalha e investigação, sempre às voltas com desejos e ambições complexos, muito diferentes daqueles a que parecia destinada. Desaf...

Os livros de Natal de Charles Dickens

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Por G. K. Chesterton  John Leech. Ebenezer Scrooge encontra o fantasma de Jacob Marley. Ilustração para A Christmas Carol, de Charles Dickens. O mistério do Natal é, de certa forma, semelhante ao mistério de Dickens. Se algum dia conseguirmos explicar adequadamente um, poderemos explicar adequadamente o outro. E, de fato, ao tratar de ambos, a ordem cronológica ou histórica deve, em certa medida, ser lembrada. Antes de abordarmos a questão do que Dickens fez pelo Natal, devemos considerar a questão do que o Natal fez por Dickens. Como foi que esse homem do agitado século XIX, repleto do senso comum quase arrogante da época utilitarista e liberal, passou a associar seu nome, principalmente na história literária, à perpetuação de uma festa meio pagã e meio católica, que ele certamente teria chamado de ultrapassada e poderia facilmente ter chamado de superstição? O Natal já havia sido celebrado antes na literatura inglesa; mas, nos casos mais notáveis, em conexão com aquele tipo de fe...

Seis poemas de Natal pela pena de autores lusitanos

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Por Pedro Belo Clara Rudolf Bernhard Willmann, Árvore de Natal  (detalhe) LADAINHA DOS PÓSTUMOS NATAIS  (David Mourão-Ferreira, Cancioneiro de Natal ) Há-de vir um Natal e será o primeiro em que se veja à mesa o meu lugar vazio Há-de vir um Natal e será o primeiro em que hão-de me lembrar de modo menos nítido Há-de vir um Natal e será o primeiro em que só uma voz me evoque a sós consigo Há-de vir um Natal e será o primeiro em que não viva já ninguém meu conhecido Há-de vir um Natal e será o primeiro em que nem vivo esteja um verso deste livro Há-de vir um Natal e será o primeiro em que terei de novo o Nada a sós comigo Há-de vir um Natal e será o primeiro em que nem o Natal terá qualquer sentido Há-de vir um Natal e será o primeiro em que o Nada retome a cor do Infinito CHOVE. É DIA DE NATAL (Fernando Pessoa, Poesias ) Chove. É dia de Natal. Lá para o Norte é melhor: Há a neve que faz mal. E o frio que ainda é pior. E toda a gente é contente Porque é dia de o ficar. Chove no N...