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Boletim Letras 360º #707

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DO EDITOR Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links fornecidos neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter este projeto a custear as despesas com domínio e hospedagem online. A sua ajuda continua essencial. Esses links e os que postamos em publicações de nossa página no Facebook ou em outras redes são seguros. Em hipótese alguma, use links apresentados por terceiros passando-se pelo Letras . Luis Fernando Verissimo. Foto: Evandro Leal    LANÇAMENTOS Uma seleção dos textos publicados por Luis Fernando Verissimo nos jornais O Estado de S.Paulo e  O Globo entre 2016 e 2020, a maioria ainda inédito em livro . Originalmente, as crônicas reunidas em Crônicas de domingo  foram publicadas aos domingos, dia que Verissimo reservava para temas mais atemporais, dividindo com os leitores um pouco de suas memórias, reflexões e assuntos prediletos. Entre muitos textos saborosos, o leitor encontrará neste livro diálogos entre amigos, casais, pais...

Livro de urgências, de Jonas Leite

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Por George Henrique Jonas Leite. Foto: Heudes Regis Que imagem teria o instante no contemporâneo? Os signos disformes na capa do Livro de urgências , o terceiro volume da poesia de Jonas Leite, parecem oferecer uma pista. É que o contemporâneo é árduo de se decifrar, de se abarcar com acepções encerradas; ele escapa, por mais que tentemos examiná-lo. É um escape irônico, aliás, porque não se trata de um distanciamento; na realidade, estamos tão embebidos nele que, por vezes, ponderar sobre seus efeitos e modulações parece uma tarefa bastante difícil. Todavia, essa parece ter sido uma tarefa que o poeta empreendeu no livro supracitado.  Sua dicção é marcada pela concisão, que parece já nos atentar para a demanda de urgência, uma marca insigne do contemporâneo, ao passo que estabelece um diálogo com o estilo de mestres como Orides Fontela, ou Olga Savary, mas, sobretudo João Cabral de Melo Neto. Isso porque, como caracteriza Lourival Holanda (2026), ao falar da poética de Fontela, os...

O indigente social no conto “Uma vela para Dario”, de Dalton Trevisan

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Por Juliano Pedro Siqueira  Ilustração de Robson Vilalba para a HQ  Uma vela para Dario. Aos amantes da literatura brasileira, não restam dúvidas da sua grandeza. O problema é quando o fetichismo estrangeiro — acreditando ser a tradição literária de lá superior à nossa — rouba a cena. Partindo das nossas raízes mais brasileiríssimas, o panteão literário brasileiro nunca ficou devendo em estilo, prosa, criatividade e profundidade temática. Eis o exemplo de João Guimarães Rosa, que desenvolveu uma prosa metafísica entre jagunços em estilo narrativo, até então, inédito!  Quando decidi escrever sobre a nossa fértil literatura, não quis repetir nomes já consagrados. Buscava uma alma discreta, cuja escrita fosse tão afiada quanto a de tantos outros e me veio o nome de Dalton Trevisan, que nos deixou em 2024. Detentor de um espólio literário invejável, o escritor de Curitiba escrevia ritualisticamente, como se sua missão terrena fosse exclusivamente produzir literatura. E sempre...

Robinson Crusoe e os naufrágios necessários

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Por Marcelo Jungle Daniel Defoe. National Maritime Museum, Greenwich, Londres. Daniel Defoe é o autor de Robinson Crusoe , informação que precisa ser mencionada antes de discutir sua obra mais conhecida. Ele quase se tornou inexistente por conta da fama de Robinson. É um típico caso em que o personagem suplanta o autor e isso diz muito do que este livro se tornou: uma história conhecida de todos e que poucos ainda leem. Um estranho fenômeno transformou-o em literatura infantil, mas é preciso também dizer que esse livro não é apenas isso, nem apenas o relato, repleto de aventuras de piratas e canibais vividas pelo náufrago que passou 28 anos em uma ilha deserta.  Otto Maria Carpeaux resume bem essa dualidade ao chamá-lo de “maior livro infantil da literatura universal” para, na frase seguinte, reconhecer que “aquele espírito poético revelou-se na angústia quase religiosa, inglesamente reservada, do homem perdido nos desertos infinitos do oceano, existência sem horizontes definidos —...

Outras guerras, de Leonardo Brasiliense

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Por Henrique Ruy S. Santos  Leonardo Brasiliense. Foto: Marcelo Brum A solidão masculina é um tema recorrente na literatura moderna. Homens (ou garotos) acossados pelo peso de seus dilemas morais, da rejeição social ou da inadequação diante do mundo constituem personagens frequentes nesse universo ficcional. Puxando de cabeça: Crime e castigo ; O apanhador no campo de centeio ; Eurico, o presbítero ; A metamorfose , além de muitos outros.  O tema evidenciado e o tipo de personagem parecem exercer uma certa atração também sobre Leonardo Brasiliense. Roupas sujas (2017), seu melhor romance até agora (não obstante o mau título), ainda que se concentre em um drama familiar com uma certa multiplicidade de personagens, dedica uma atenção notável ao conflito interno de Antônio e seu afastamento do restante da família. Peixe estranho (2022), romance mais irregular, lida com um sujeito que vive com uma boneca de silicone para quem passa os dias a narrar a vida que teve com duas ex-es...

Abismos da leveza, de Rodrigo Petrônio

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Por Herasmo Braga Em meio a tantas ideias reproduzidas, mesmices estéreis com ares de novidades, idealismos pueris como os de originalidade, genialidade, ficamos surpresos quando somos apresentados pensadores com obras significativas, que provocam no mínimo atenção em pontos até então despercebidos por conta do cultivo hegemônico de olhares guiados para o mais do mesmo. Abismos da leveza , obra recentemente publicada por Rodrigo Petrônio, constitui um destes expressivos momentos de inteligência e lucidez teórica. O trabalho realiza consistentes diálogos com a tradição filosófica, com proposições elucidativas diante de dilemas e inquietações, além de aglutinar relevantes contribuições não só para compreensão do mundo das ideias, das artes, como também, da realidade em seu contexto mais atual e urgente. As premissas discursivas problematizam formas de pensar, no mínimo equivocadas, quando não inverossímeis, nas quais nos acostumamos, erradamente, em conceber como as questões de antinomia...